Primeiro dia da Health Meeting debate os grandes desafios para o futuro da saúde e as transformações no setor

Evento discutiu a pressão sobre os custos, envelhecimento da população, inteligência artificial e a projeção de 11 milhões de profissionais a menos na saúde até 2030

A saúde entra nos próximos anos diante de uma combinação de desafios: escassez de profissionais, aumento da demanda com o envelhecimento da população, pressão sobre os custos e rápido avanço da inteligência artificial. Esses temas estiveram entre os principais debates do primeiro dia da Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA 2026, nesta terça-feira (22), no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre. Gestores e especialistas também discutiram mudanças no modelo de assistência, formação profissional, acesso a medicamentos e preparação dos hospitais para emergências sanitárias.

Um dos destaques foi o painel “Tendências e grandes desafios da saúde para hoje e para o futuro”, que abriu o 17º Workshop da Agenda Executiva em Saúde. O diretor-geral do Hospital Mãe de Deus, Sandro Junqueira, apresentou um cenário marcado pela pressão financeira e pela necessidade de mão de obra. A estimativa é de que o mundo tenha 11 milhões de profissionais de saúde a menos até 2030. Ao mesmo tempo, o envelhecimento amplia a demanda por assistência. “A conta não fecha. Temos uma demanda crescente, com mais pessoas idosas e doenças crônicas, enquanto enfrentamos a falta de profissionais. O hospital do futuro precisa ser construído a partir de pessoas, processos e tecnologia”, afirmou.

A transformação digital foi apontada como outra mudança estrutural. Segundo dados apresentados no painel, 65% dos executivos da saúde pretendem investir em saúde virtual em 2026, enquanto 90% dos pacientes que utilizaram teleconsulta avaliaram positivamente a experiência. Mas Junqueira alerta que a expansão da inteligência artificial no setor ainda depende de bases sólidas de dados, interoperabilidade e cibersegurança.

A distribuição dos profissionais também foi apontada pela coordenadora-geral de Formação e Inovação para o Provimento Profissional do Ministério da Saúde, Thais Maranhão. Ela ressaltou que o país tem mais de quatro milhões de trabalhadores em 82 categorias e defendeu o uso de dados para identificar as necessidades regionais. Daniel Giaccheri, sócio-fundador do Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas e vice-presidente do SINDIHOSPA, chamou a atenção para a qualidade da formação médica, e o presidente executivo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), Paulo Maia, abordou os desafios para garantir o acesso a medicamentos de alto custo, especialmente diante de roubos de cargas e falsificação de produtos.

Os desafios no atendimento às doenças infecciosas

A necessidade de resposta rápida a doenças infecciosas esteve em discussão na 6ª Jornada de Controle e Prevenção de Infecções, promovida pelo SINDIHOSPA (Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre). O infectologista Rafael Cunha Matiuzzi, do Hospital Nossa Senhora da Conceição, abordou o tema “Enfrentando o Ebola: Estratégias em um Cenário Endêmico em Transformação”. Ele explicou que o hospital é referência estadual do Ministério da Saúde para o enfrentamento da doença e alertou que, embora o risco de Ebola no Brasil seja considerado baixo, a circulação internacional exige protocolos preparados.

República Democrática do Congo e Uganda, na África, formam o atual epicentro do surto, com 7.672 casos confirmados nos dois países, segundo dados apresentados pelo especialista. No Brasil, quatro casos suspeitos foram registrados em 2026, dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um no Rio Grande do Sul, caso posteriormente descartado e diagnosticado como malária. “Em um mundo globalizado, temos pessoas que circulam por diferentes países e precisamos estar preparados para reconhecer rapidamente um caso suspeito e acionar o protocolo”, afirmou.

Educação aproxima formação e prática

A Health Meeting também marcou a estreia do 1º Fórum de Educação em Saúde, dedicado à aproximação entre a formação acadêmica e as necessidades dos serviços. O painel “Como aproximar a educação da prática” reuniu representantes de instituições de ensino, hospitais e organizações da área para discutir os desafios da preparação dos profissionais diante das transformações do setor.

“Fazer essa conexão do que é ensinado na academia para a prática é um dos nossos grandes desafios. Precisamos lidar com a questão de liderança e recursos de maneira que se mantenha uma assistência segura ao paciente”, ressaltou a professora Daniela dos Santos Schneider, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que moderou o painel.

A programação do primeiro dia incluiu atividades como a 2ª Jornada de Custos e Controladoria, a Jornada de Segurança do Paciente em Anestesiologia, o 2º Seminário de Infraestrutura da Associação Brasileira do Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH), o Reúne Health & Lab e o 12º Superdosagem Duo Medlive. 

Com programação até quinta-feira (24), a quarta Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA deverá ter uma circulação de 25 mil pessoas ao longo dos três dias, reunindo mais de 400 marcas expositoras, 48 startups e mais de 30 congressos simultâneos. A visitação ao espaço de exposições, no Centro de Eventos da FIERGS, é gratuita.

Sobre a feira

A 4ª Health Meeting Brasil / SINDIHOSPA é realizada pela HM Brasil Feiras e Congressos e pelo SINDIHOSPA, com patrocínio da Unimed Porto Alegre, Unicred, Medlive e Sebrae.