Pela primeira vez, a Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA contou com a presença de palestrantes internacionais. Dois especialistas dos Estados Unidos foram destaques da Jornada de Segurança do Paciente em Anestesiologia, que encerrou a programação do primeiro dia da feira, nesta terça-feira (22), em Porto Alegre. Promovido pela Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul, o encontro reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir diferentes dimensões da segurança antes, durante e depois dos procedimentos cirúrgicos.
Segurança do paciente, inovação, novas tecnologias e os desafios para tornar o cuidado cirúrgico cada vez mais confiável estiveram no centro dos debates do encontro. Abrindo a Jornada, o presidente da Fundação para a Segurança do Paciente em Anestesia, Daniel J. Cole, abordou desafios que se repetem em diferentes sistemas de saúde e discutiu como estruturas de alta confiabilidade, organização dos processos e uso qualificado de dados podem contribuir para antecipar riscos e melhorar os resultados assistenciais. “Compartilhamos muitos desafios. Embora existam diferenças importantes no financiamento dos sistemas de saúde, alguns desafios são os mesmos”, afirmou Cole.
Entre os pontos apresentados estiveram a identificação de pacientes mais vulneráveis, a necessidade de organizar recursos de acordo com o grau de risco e a construção de sistemas capazes de responder às mudanças no perfil dos pacientes e à crescente complexidade do cuidado perioperatório.
Na sequência, a diretora de Segurança do Paciente e Melhoria da Qualidade da Universidade da Califórnia, Judy Choe, trouxe para o debate a necessidade de transformar o compromisso com a segurança em práticas incorporadas ao cotidiano das instituições. A especialista tratou da cultura de segurança a partir de fatores como valores, comportamentos, sistemas e aprendizado organizacional. “Dizer que a segurança é importante não é suficiente. É preciso ter um trabalho em equipe inclusivo e fazer da comunicação um espaço seguro”, pontuou Judy.
Ela também destacou a importância de ambientes nos quais os profissionais possam comunicar riscos e falhas, de processos de investigação voltados ao aprendizado e do papel das lideranças para garantir que as equipes tenham condições concretas de exercer um cuidado seguro. Simulações, observação dos fluxos de trabalho e pausas estruturadas entre procedimentos também apareceram entre as estratégias discutidas.
Do pós-operatório à inteligência artificial
A programação também apresentou um panorama de outros desafios que hoje integram a agenda da segurança em anestesiologia. A professora de Medicina da UFRGS, anestesista e pesquisadora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Luciana Cadore Stefani, discutiu a capacidade dos hospitais de reconhecer e responder rapidamente às complicações pós-operatórias. Ela mostrou que os resultados cirúrgicos também estão relacionados à existência de sistemas preparados para detectar precocemente a deterioração clínica dos pacientes.
Temas como a integração das informações ao longo do atendimento, a utilização de dados contextualizados para apoiar decisões clínicas e a redução de desperdícios de medicamentos e materiais também marcaram o evento. Encerrando a Jornada, o presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, Vicente Fonseca, falou da possibilidade de utilizar ferramentas de IA para analisar grandes volumes de informações, apoiar a predição de riscos e auxiliar na tomada de decisão. Ao mesmo tempo, o debate também abordou questões como vieses algorítmicos, governança, ética e responsabilidade clínica na incorporação dessas tecnologias.
Com programação até quinta-feira (24), a quarta Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA deverá ter uma circulação de 25 mil pessoas ao longo dos três dias, reunindo mais de 400 marcas expositoras, 48 startups e mais de 30 congressos simultâneos. A visitação ao espaço de exposições, no Centro de Eventos da FIERGS, é gratuita.
Sobre a feira
A 4ª Health Meeting Brasil / SINDIHOSPA é realizada pela HM Brasil Feiras e Congressos e pelo SINDIHOSPA, com patrocínio da Unimed Porto Alegre, Unicred, Medlive e Sebrae.
