O que aconteceria se um avião em rota internacional necessitasse pousar em Porto Alegre, após a tripulação pedir apoio médico para 20 passageiros com sintomas de uma doença infecciosa desconhecida? Esse foi o cenário simulado neste sábado (13), na capital gaúcha, em um exercício que mobilizou as forças de saúde e de segurança para testar a preparação e os tempos de resposta das instituições.
A iniciativa foi organizada pelo SINDIHOSPA (Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre), pela Fraport Brasil e pelo Hospital de Clínicas, com a primeira etapa ocorrendo no Aeroporto Internacional de Porto Alegre e, depois, no hospital, que é referência no atendimento desse tipo de emergência.
A operação começou às 14h, com o pedido de autorização para pouso na capital. Um ônibus simulou o avião no exercício e, imediatamente, foram acionados os planos de contingência, com a instalação do Centro de Operações de Emergência do aeródromo, que avaliou e decidiu, de forma integrada, os passos seguintes.
Por ser um voo internacional, diversos órgãos foram acionados para atuar no cenário, entre eles a Polícia Federal, Anvisa, Receita Federal, Vigilâncias Sanitárias do Estado e do município, Brigada Militar, EPTC e SAMU. Equipes do Hospital de Clínicas acompanharam as ambulâncias no aeroporto, com equipamentos como ultrassonografia portátil para avaliação precisa dos passageiros.
Na sequência, uma pessoa em situação grave e quatro em situação moderada foram levados em cinco ambulâncias, enquanto os outros 15, em quadro estável, foram transportados em uma van até o Clínicas. Lá, foram atendidos na Emergência, onde o hospital simulou a reorganização de fluxos e a adoção de protocolos assistenciais de isolamento para proteger passageiros, profissionais e demais pacientes da área, tratando os casos e prevenindo novas contaminações” Foi exercitado ainda o remanejo de pessoas para outras instituições de saúde.
Os trabalhos, que chamaram a atenção da população pela movimentação nas ruas, não impactaram nas operações do aeroporto e do Clínicas. O presidente do SINDIHOSPA, Henri Siegert Chazan, destaca a importância dessa integração para avaliar, conjuntamente, o que funcionou e o que poderá ser aprimorado para o caso de um evento real.
“Esses exercícios são fundamentais para capacitar as forças de saúde e segurança de maneira integrada. Cada um tem seus protocolos e, com essas simulações, todos podem testar e melhorar seus processos, reforçando a preparação para estarmos prontos caso algo assim realmente aconteça”, afirmou.
“Para o Clínicas, é a oportunidade de testar a integração do hospital com a rede e a nossa capacidade de organização e resiliência perante uma situação de emergência em saúde pública”, disse Brasil Silva Neto, diretor-presidente do HCPA. Ele destacou que, como em tantas outras situações reais, o Clínicas está sempre de prontidão para atender à população.
As 22 vítimas atendidas são estudantes de Medicina e de Enfermagem da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que se voluntariaram para integrar o simulado. Claudia Vasques, do terceiro semestre de Medicina, foi escolhida para ser uma paciente de 58 anos, com doenças respiratórias prévias, e que apresentava o quadro mais grave, necessitando de entubação. “Esta foi uma oportunidade incrível não só de prestar um benefício à UFRGS e ao Clínicas, mas também um benefício à sociedade, porque é uma preparação caso um dia a gente realmente tenha que fazer isso”, afirmou. Além dos alunos, cerca de 50 profissionais da instituição se envolveram no exercício.
Para o Aeroporto Internacional de Porto Alegre, atividades como essa são exigidas periodicamente pelos órgãos reguladores do setor em todo o país, atendendo a critérios estabelecidos pela Anvisa. “A atividade permite verificar a integração entre as equipes envolvidas, a clareza dos fluxos de acionamento e a capacidade de resposta diante de um cenário que exige coordenação, agilidade e segurança. Mais do que cumprir um requisito, o exercício fortalece a preparação do aeroporto e contribui para a melhoria contínua dos nossos processos de emergência”, explica o gerente de Safety Management System (SMS) da Fraport Brasil, José Carlos Saraiva.
Os trabalhos foram acompanhados ainda pelo Consulado-Geral dos Estados Unidos em Porto Alegre, pelas secretarias Estadual e Municipal da Saúde, e tiveram o apoio da Ecco Salva, da Transul e da SOS Unimed.
Histórico
Este foi o quinto simulado de desastre realizado pelo SINDIHOSPA em Porto Alegre. Em 2016, foi reproduzida uma colisão entre carro e ônibus na avenida Ipiranga, em frente à Federação Gaúcha de Futebol, com 34 vítimas. Dois anos depois, testou-se a resposta ao desabamento do teto de um auditório lotado no Senac Saúde, na Zona Norte, com 64 feridos e um óbito.
Já em 2023, a terceira edição ocorreu no Hospital Moinhos de Vento, simulando um incêndio no bloco 15 da instituição. O exercício teve 41 vítimas e contou inclusive com o deslocamento de pacientes em um helicóptero. Em 2025, o exercício simulou um incêndio no Plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, com mais de 50 vítimas.
